Por que deixamos de fluir nos dons do Espírito Santo? Descubra como a autossuficiência humana tem bloqueado o mover sobrenatural na Igreja e o que fazer para mudar isso.
Vivendo não pela força do braço, mas pelo poder do Espírito
Desde o dia de Pentecoste, Deus tem derramado o Espírito Santo sobre a Igreja,
capacitando cada cristão com dons espirituais para cumprir a missão de anunciar o
evangelho e edificar o Corpo de Cristo. Esses dons nunca foram destinados a um grupo
seleto de pessoas, mas fazem parte da provisão de Deus para toda a Igreja.
O apóstolo Paulo declara:
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum.”
(1 Coríntios 12:7)
Essa afirmação revela uma verdade importante: Deus deseja que todos os seus filhos
participem da obra do Reino. Cada discípulo possui uma função no Corpo de Cristo e pode
ser usado pelo Espírito Santo para servir, consolar, ensinar, fortalecer e testemunhar de
Jesus.
No entanto, quando olhamos para o Novo Testamento e o comparamos com a realidade de
muitas igrejas atuais, percebemos um contraste evidente. Enquanto a Igreja primitiva
dependia intensamente da direção e do poder do Espírito Santo, hoje é comum confiarmos
muito mais em estratégias, planejamento, conhecimento, experiência e capacidade
humana.
Esses recursos possuem seu valor, mas jamais poderão substituir a atuação sobrenatural
do Espírito Santo.
Isso nos leva a algumas perguntas importantes: por que deixamos de fluir nos dons
espirituais? O que impede essa manifestação? Como voltar a viver e servir pelo Espírito?
As Escrituras respondem claramente a essas questões.
Deus já concedeu à Igreja tudo o que ela precisa
O primeiro princípio é compreender que o problema não está em Deus. O Espírito Santo nunca deixou sua Igreja desamparada. Paulo escreve:
“Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de
ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação
do Espírito, visando ao bem comum… Todas essas coisas, porém, são realizadas
pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, conforme quer.”
(1 Coríntios 12:4-7,11)
A palavra “manifestação” significa tornar algo visível. Os dons espirituais são justamente a
manifestação visível da atuação invisível do Espírito Santo.
Eles não existem para promover pessoas, mas para edificar a Igreja.
Isso significa que Deus já distribuiu entre os membros da igreja local todos os dons
necessários para cumprir a missão que Ele confiou àquela comunidade. Quando um dom
deixa de ser exercido, todo o Corpo perde.
O maior impedimento é a autossuficiência
Talvez o maior obstáculo ao fluir dos dons espirituais seja a confiança excessiva em nossas
próprias capacidades.
Desde a queda, o ser humano aprendeu a depender de si mesmo. Infelizmente, essa
independência também pode invadir a vida cristã.
É possível trabalhar muito para Deus e depender muito pouco d’Ele.
Podemos possuir excelente organização, boa administração, conhecimento bíblico e
experiência ministerial, mas ainda assim faltar aquilo que realmente produz vida: a atuação
do Espírito Santo.
Por isso Deus declarou por meio do profeta Zacarias:
“Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito”, diz o Senhor dos
Exércitos. (Zacarias 4:6)
Jesus reforçou esse mesmo princípio quando afirmou:
”…sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.” (João 15:5)
Enquanto a carne busca controlar todas as situações, o Espírito Santo age quando
aprendemos a depender completamente de Deus.
A falta de fome espiritual enfraquece a manifestação dos dons
Os dons espirituais não são conquistados por mérito humano. Eles florescem no
relacionamento com Deus.
Infelizmente, muitos desejam experimentar os resultados dos dons, mas poucos cultivam
intimidade com aquele que os concede.
Jesus ensinou:
“Por isso lhes digo: Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a
porta lhes será aberta… quanto mais o Pai que está no céu dará o Espírito Santo a
quem o pedir!” (Lucas 11:9-13)
Os verbos pedir, buscar e bater revelam uma busca perseverante.
Quanto maior nossa comunhão com Deus, maior será nossa sensibilidade à voz do Espírito
Santo.
Os dons florescem em uma vida de oração, adoração, obediência e intimidade.
É preciso abandonar a vida controlada pela carne
Paulo apresenta um contraste muito claro entre viver segundo a carne e viver segundo o
Espírito.
“Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas
quem vive, de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito
deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz.”
(Romanos 8:5-6)
A carne procura reconhecimento.
O Espírito glorifica Cristo.
A carne deseja controlar.
O Espírito ensina a obedecer.
Enquanto insistirmos em confiar apenas em nossos próprios recursos, dificilmente veremos
a manifestação sobrenatural dos dons.
O primeiro passo sempre será o arrependimento. Precisamos reconhecer que muitas vezes
tentamos fazer a obra de Deus sem depender do Espírito de Deus.
Os dons devem ser desejados e desenvolvidos
Existe a ideia de que basta esperar passivamente que Deus manifeste seus dons.
Entretanto, Paulo ensina exatamente o contrário.
Ele escreve:
“Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons.” (1 Coríntios 12:31)
Depois acrescenta:
“Sigam o caminho do amor e busquem com dedicação os dons espirituais…” (1
Coríntios 14:1)
E ainda:
“Visto que estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que
trazem edificação para a igreja.” (1 Coríntios 14:12)
Os dons devem ser buscados, desejados e desenvolvidos, sempre com a motivação
correta: servir ao próximo e glorificar a Cristo.
Como desenvolver os dons do Espírito Santo
As Escrituras apresentam princípios simples, mas profundos.
Tudo começa com o arrependimento da autossuficiência e o reconhecimento de que sem
Cristo nada podemos fazer.
Em seguida, somos convidados a pedir ao Pai, pois Jesus prometeu que Deus concede o
Espírito Santo aos que o buscam.
Também precisamos cultivar uma vida constante de comunhão com Deus. Quanto maior a
intimidade com o Espírito Santo, maior será nossa sensibilidade para ouvir sua direção.
Os dons também amadurecem enquanto servimos. Deus normalmente revela e desenvolve
nossos dons no exercício do ministério, não na passividade.
Além disso, Jesus ensinou:
“Quem é fiel no pouco também é fiel no muito…” (Lucas 16:10)
A fidelidade nas pequenas oportunidades prepara o coração para responsabilidades
maiores.
Tudo isso deve acontecer em humildade, pois toda manifestação espiritual existe para
glorificar Cristo, nunca para exaltar quem ministra.
Como reconhecer um dom espiritual
Um verdadeiro dom sempre produz frutos compatíveis com o caráter de Cristo.
Ele edifica a Igreja, glorifica Jesus, está em plena harmonia com as Escrituras, é
reconhecido pela comunidade cristã e produz transformação espiritual.
Jesus resumiu esse princípio dizendo:
“Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão.” (Mateus 7:20)
Os dons e o fruto do Espírito caminham juntos. Quanto mais Cristo é formado em nosso
caráter, mais seguros nos tornamos para administrar aquilo que Deus nos confia.
Por que Deus concede os dons?
Os dons espirituais possuem propósitos muito claros nas Escrituras.
Eles existem para edificar a Igreja e aperfeiçoar os santos, conforme ensina Efésios
4:11-13.
Também acompanham a proclamação do evangelho.
“Então os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com
eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam.” (Marcos 16:20)
Além disso, os dons fortalecem a missão dada por Jesus:
“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas
testemunhas…” (Atos 1:8)
O propósito do poder do Espírito nunca foi promover experiências isoladas, mas capacitar a
Igreja para testemunhar de Cristo.
Finalmente, os dons fazem parte da preparação da Noiva de Cristo para sua volta.
Enquanto o Espírito Santo edifica a Igreja, Cristo continua preparando para si um povo
santo, puro e amadurecido.
Conclusão
O problema da Igreja não é a falta de dons. O verdadeiro desafio é a falta de dependência
do Espírito Santo.
Deus continua distribuindo dons ao seu povo. O Espírito Santo continua desejando
manifestar seu poder. A questão é se estamos dispostos a abandonar a autossuficiência
para viver em completa dependência de Cristo.
Quanto menos confiarmos em nossa própria força, mais espaço haverá para a atuação
sobrenatural de Deus.
As palavras de João Batista resumem esse caminho:
“É necessário que ele cresça e que eu diminua.” (João 3:30)
Quando Cristo ocupa o centro da nossa vida, o Espírito Santo encontra liberdade para agir
através de nós. Que esta seja também a oração da Igreja dos nossos dias: realizar a obra
de Deus não pela força humana, mas pelo poder do Espírito Santo, para a glória de Cristo e
para a edificação do Seu povo.




