Os seres cheios de olhos e a contemplação de Cristo

Os 4 seres viventes cheios de olhos podem ser conforme descritos em Apocalipse, mas a descrição deles para aquela época carrega um significado de porque são assim.

“Diante do trono havia algo parecido com um mar de vidro, claro como cristal.No centro, ao redor do trono, havia quatro seres viventes cobertos de olhos,tanto na frente como atrás.”
“Cada um deles tinha seis asas e era cheio de olhos ao redor e por baixo dasasas. Dia e noite repetem sem cessar: ‘Santo, santo, santo é o Senhor Deus, oTodo-poderoso, que era, que é e que há de vir’.”

Apocalipse 4:6,8

João está descrevendo a sala do trono celestial.
Os seres viventes possuem características semelhantes às criaturas vistas por Ezequiel (Ezequiel 1 e 10) e aos serafins vistos por Isaías (Isaías 6).
Isso nos dá uma chave importante para a leitura de Apocalipse:
João não está criando símbolos completamente novos.
Ele utiliza imagens já presentes nas Escrituras, que seriam reconhecidas pelos leitores familiarizados com o Antigo Testamento e com a cultura judaica.

Seres cheios de olhos

Quando pensamos nesses seres, muitas vezes imaginamos criaturas literalmente cobertas por olhos.
Embora o texto utilize essa imagem, é importante lembrar que a literatura apocalíptica frequentemente comunica verdades espirituais por meio de símbolos.
Assim como diversos elementos de Apocalipse possuem significado simbólico, os olhos também carregam uma rica carga de significado dentro do pensamento hebraico.
No contexto bíblico, olhos raramente se referem apenas à visão física.
Eles frequentemente simbolizam:

CONHECIMENTO

Ver é conhecer.
Por isso, quando lemos:
“Os olhos do Senhor percorrem toda a terra”
(2 Crônicas 16:9)
a ideia não é que Deus possua literalmente olhos observando tudo, mas que nada escapa ao Seu conhecimento e à Sua percepção.

DISCERNIMENTO

Os olhos representam a capacidade de compreender a realidade corretamente.
Por isso Jesus diz:
“Se os teus olhos forem bons…”
(Mateus 6:22)
Ele não está falando apenas da visão física, mas da forma como percebemos e interpretamos a realidade.

VIGILÂNCIA

No mundo antigo, os vigias permaneciam atentos para identificar perigos e proteger a cidade.
Por isso os olhos também simbolizam atenção constante e vigilância.
Nada passa despercebido.

 

Dessa forma, muitos estudiosos entendem que os olhos dos quatro seres viventes comunicam:
• percepção ampliada da realidade;
• vigilância constante;
• sabedoria celestial;
• conhecimento derivado da proximidade com Deus.

Os seres contemplam continuamente a glória divina.
Eles enxergam aquilo que os seres humanos não conseguem enxergar plenamente.
Por isso, dia e noite, declaram:
“Santo, santo, santo.”

A pergunta é: Por que eles nunca se cansam dessa adoração?

Porque cada vez que contemplam a Deus, conhecem mais profundamente quem Ele é.
A repetição não acontece por falta de criatividade.
Ela acontece porque a santidade de Deus é inesgotável.
A tradição cristã frequentemente entende essa cena como uma demonstração de que a glória de Deus é infinita e que Sua beleza jamais pode ser completamente explorada, mesmo pelos seres que permanecem diante do Seu trono.
Quanto mais se contempla Cristo, mais se descobre sobre Ele.
Os seres viventes possuem olhos por todos os lados, mas ainda assim não conseguem esgotar a majestade, a santidade e a beleza do Cordeiro.

Aplicação

Aqueles que vivem em relacionamento com Deus também são chamados aconhecê-Lo continuamente.
E quanto mais O conhecem, mais têm motivos para declarar quem Ele é.

A adoração bíblica nasce da revelação.
Nós adoramos porque contemplamos.
Nós proclamamos porque conhecemos.

Ao longo do livro de Apocalipse, Cristo é revelado como Rei, Senhor, Testemunha Fiel, Primogênito dentre os mortos, Alfa e Ômega, Aquele que era, que é e que há de vir.
Cada revelação produz adoração.
Muitas canções cristãs nos conduzem justamente a esse lugar de contemplação, onde não focamos apenas no que Deus faz, mas em quem Ele é.
Deus nos convida a nos aproximarmos dEle por meio de Cristo e a vivermos uma vida inteira de relacionamento e conhecimento.

“Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”
João 17:3

Que diariamente Cristo seja revelado a nós.
Que cresçamos no conhecimento de quem Ele é.
E que, ao contemplarmos Sua glória, possamos nos unir ao coro celestial e declarar:
“Santo, santo, santo é o Senhor.”

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